OBJETOS PARA INTERAÇÃO E APRECIAÇÃO PÚBLICA

Santa Maria, 02 de julho de 2008

 

 

 

 

CONCEPÇÃO DE OBJETOS COM CAVIDADES PARA INTERAÇÃO E APRECIAÇÃO PÚBLICA

 

 

Acadêmico:

 Matheus Moreno dos Santos Camargo 

Banca avaliadora:

 Edemur Casanova

 Rejane Berger

 Vani Foletto

 

 

 

1. INTRODUÇÃO

 

Buscando unir minha pesquisa em Artes Visais, com meu estudo em Arquitetura e Urbanismo, relacionarei meus trabalhos com o espaço urbano. Neste semestre, a fim de aprimorar a forma orgânica de meus objetos, que possuem como referências as características do interior de órgãos, como o coração. Parto de realização de croquis, projetos e maquetes volumétricas e  pesquisa de materiais, que terá seguimento no Trabalho de Graduação II, onde estes objetos serão executados e inseridos na paisagem urbana ou natural, proporcionando apreciação e interação com a figura humana, de diversas maneiras, tais como, lazer, descanso, estranhamento e imersão.

 

 

2. PESQUISA FORMAL

 

A pesquisa formal e a iniciativa de trabalhar com objetos que pudessem ser inseridos no espaço público, tiveram inicio no Atelier de Objeto-Arte e Multimeios durante os quatro semestres de orientação, onde trabalhei com materiais diversos, buscando sempre relacioná-los com: arquitetura, urbanismo e a figura humana através de suas sensações. Após estas experiências tridimensionais com materiais diversos e croquis perspectivos como o da figura 1, passei a buscar referências em outros trabalhos e em formas que pudessem ter uma ligação com o que vinha pesquisando.

 

  a2

Figura 1

 

Ao cursar apoio de desenho, em 2006 com a Prof. Suzana Gruber, buscava relacionar a representação gráfica dos cortes de órgãos, como coração e sistema digestivo, com projetos arquitetônicos. Analisando a relação dos espaços internos e a composição das linhas orgânicas e observando como poderia fazer uso destes elementos na criação de meus trabalhos.

A obra Truss Wall House (figuras 2 e 3), de 1993, em Tóquio no Japão, de autoria dos arquitetos: Ushida e Flinday é um exemplo claro da união entre arquitetura, arte e design. Em seu interior o mobiliário e as linhas da casa se integram, sendo esta conhecida como uma residência escultura, possui linhas orgânicas que remetem à forma de uma concha (figura 4).

 

b1

    Figuras: 2, 3 e 4. Fontes: http://  http://www.japan-photo.de/TRUSS-WALL.jpg

 

Com base na pesquisa deste e de outros trabalhos, que tenham como objetivo o uso das formas orgânicas, sejam estes, artísticos, de design, arquitetônicos, urbanísticos ou paisagísticos, bem como, a relação destes com os objetos aí inseridos. Parti para a elaboração de meus projetos arquitetônicos os quais busco trabalhar com formas orgânicas, a fim de quebrar a rigidez dos ângulos retos.

Para chegar à forma final destas plantas, foi necessário partir do lançamento de círculos puros, cada um contendo a área desejada para cada ambiente, logo, passei a setorizar e conectar estes espaços, em alguns momentos com formas curvas em outros com formas retas.

 

        c2Figuras: 5 e 6.

 

O desenvolvimento de meus projetos arquitetônicos está diretamente ligado a pesquisa formal de meus objetos, tanto na elaboração de uma residência uni familiar (figura 5), no segundo semestre de 2007, como de uma edificação mista (comercial e residencial) de quatro pavimentos, neste semestre (detalhe, figura 6).

Realizando estudos em um programa de computador (SketchUp), o qual, me possibilitou o lançamento tridimensional das formas e a visualização de todos os lados dos objetos, alem da experimentação de texturas, que remetem a materiais que realmente podem ser usados na execução dos mesmos. Na figura 7 nota-se que os espaços internos não possuem um piso côncavo detalhe que já passou a ser conseguido nos estudos representados na figura 8, 9 e 10.

 

   d2

 Figuras  7, 8, 9 e 10.

 

Nestes estudos, um resultado que não me agradou, foi que não consegui realizar objetos com elevações curvas para as “paredes” externas, deste modo voltei a trabalhar com os croquis.

Sendo assim, organizei a pesquisa formal, de modo que a iniciei através de um estudo planimétrico, começando a gerar meus objetos a partir de “plantas baixas”, buscando visualizar os acessos entre os espaços internos e o resultado que a forma obtinha.

Primeiramente, trabalhei com croquis de objetos que possuíssem poucos espaços internos e conexões entre estes, parti da relação entre círculos e ovais; ao trabalhar com dois círculos, visualizei que a relação entre estes quando próximo um do outro, poderia se dar diretamente, e quando afastados fazia-se necessário à presença de uma ligação entre estes, esta poderia ser em linha reta ou curva, serviria de circulação entre estes dois espaços internos. Logo, passei a relacionar mais espaços internos entre si e diversas formas de conexões, questionando a espessura que deveriam ter estes círculos para gerar uma parede que dividisse interior e exterior, bem como, a posição de uma possível entrada para estes ambientes.

O segundo passo, foi o de traçar as elevações para estes, nos primeiros, ergui as divisórias entre os espaços internos e as paredes externas verticalmente planas, variando a altura, tanto em uma mesma elevação ou entre estas, de modo que pudessem permitir a visualização do exterior ou não. Ao observar as elevações destes elementos, percebi que havia dificuldade de perceber as características orgânicas que estes objetos possuíam no plano, um dos motivos é que a verticalização das linhas estava ocorrendo perpendicular a base (figura 11).

 

 f

Figuras: 11 e 12.

 

 

A partir deste momento, foi necessário fazer estudos de cortes destes trabalhos, a fim de buscar dar características orgânicas às paredes externas, internas e ao piso. Ao trabalhar com os cortes, pude dar uma curvatura maior para os pisos e paredes; percebendo que poderia trabalhar a relação destes com a cobertura, inseri, em alguns momentos, uma cobertura que cobria parte dos objetos (figura 12), neste caso poderia instalar bancos, trabalhando com o mesmo material do objeto, de forma a gerar apenas saliências na peça. Também experimentei coberturas que cobriam grande parte dos ambientes internos (figura 13), fazendo uso de algumas aberturas para entrada de luz solar e nas paredes para criar uma relação visual, das pessoas que façam uso dos espaços internos com o entorno.

Percebendo que vinha trabalhando, na maior parte com formas fechadas (círculos e ovais) e objetos que resultariam em formas muito grandes, de difícil execução, fiz alguns experimentos de forma que pudesse se abrir para o entorno. Deste modo, trabalhei de forma orgânica com as iniciais de meu nome (figura 14), já havia percebido a relação desta com os estudos anteriores. Em alguns estudos se manteve a predominância das linhas côncavas e convexas (figura 15) e em outros consegui dar um caráter mais linear (figura 16).

 

 

 

g

 Figuras 14, 15 e 16.

 

Através, de proposta exigida pela disciplina de Paisagismo no curso de Arquitetura e urbanismo da Unifra, cursada no primeiro semestre de 2008, realizei um projeto de intervenção para o parque Pinhal em Itaara, sendo o objeto abaixo sugerido e experimentado no meu projeto. Buscando fazer uso desta pesquisa formal, materializada em um volume escultórico que pode ser usado como mobiliário público, mesmo sabendo que outros usos possam ser dados a estes objetos.

Deste modo, pude observar como esta forma, que trato como objeto artístico seria introduzida em uma paisagem real, mesmo que seja através de projeto, percebi que ao destinar um uso para este elemento outras questões vinham à tona, como: as visuais, as entradas e a escala em relação ao entorno (figuras 17 e  18).

 h

  Figuras: 17 e 18.

 

Assim como, na disciplina de projeto arquitetônico, sugeri para o pátio central do térreo um de meus elementos escultóricos, que funcionasse como playground, e para cobertura, cobrir os bancos circulares com volumes côncavos de concreto armado. Com o objetivo de envolver a figura humana, testar suas sensações e comportamentos perante o objeto que convida a participação, buscando desta maneira conciliar arquitetura, paisagismo e arte.

A produção de Chris Bosse é mais um exemplo desta busca de conciliação entre arquitetura, arte e design; usando como referencia formal a natureza. Seus trabalhos podem remeter a bolhas como no caso do Tsunami Memorial na Tailândia de 2005, (figura 19), apesar de este projeto possuir uma função específica, vê na composição dos espaços um tratamento que tem mais preocupação estética que usual; isto pode ser visto em outros de seus trabalhos, como em instalações que faz uso de mobiliários (figura 20).

 

  i

 Figuras 19 e 20. Fonte: http:// http://www.chrisbosse.de

 

 

3. EXECUÇÃO

 

            Para o Trabalho de Graduação II, executarei um ou mais trabalhos em uma escala que possam ser usados como mobiliários, buscando preferencialmente inseri-los no meio urbano, por possuir uma gama muito grande de linguagens e intervenções distintas, além do aglomerado de transeuntes, poderei analisar a relação destes com meus trabalhos. Para a avaliação do TGII, apresentarei em pranchas demonstrativas o processo de execução e fotos da inserção destes nos espaços escolhidos, mais maquete volumétrica.

Na execução destes trabalhos, usarei como estrutura, o método de treliças metálicas, e a escolha dos materiais de revestimento dependerão do local que estes serão inseridos e da permanência que estes ocuparão. No caso da elaboração de trabalhos que possam ser permanentes, pretendo usar concreto, e na possibilidade de ter que locomover meus objetos farei uso de fibra de vidro ou outro material que seja leve.

 

  j

Figura 10 e 11. Fonte: www.proxyarch.com

 

 

 Referências da pesquisa:

 

PALLAMIN, Vera Maria. Arte urbana. São Paulo: Annablume Fapesp, 2000.

ARGAN, Giulio Carlo. História da arte como História da cidade. São Paulo: Martins Fontes, 1993.

ARANTES, Priscila. Fronteiras Líquidas: O artista produtor de espaços-afetos.www.canalcontemporaneo.art.br/tecnopoliticas/archives/000570.html”.  Acessado em out. de 2007.

PEIXOTO, Nelson Brissac. Intervenções Urbanas: Arte\Cidade – São Paulo. São Paulo: SENAC, 2002.

Architectura del paisaje – Mobiliário Urbano. Barcelona: MONSA, 2007

SIQUEIRA.

Paisajismo Urbano. Barcelona: MONSA, 2006.

http://www.chrisbosse.de . Acessado em dez. de 2007. 

http://http://www.japan-photo.de/TRUSS-WALL.jpg  . Acessado em dez. de 2007. 

http://www.arcspace.com/…/images/18_trusswall.jpg. Acessado em dez. de 2007. 

http://www.proxyarch.com. Acessado em dez. de 2007. 

http://www.naoce.sjtu.edu.cn/…/2001/truss-04.jpg.  Acessado em dez. de 2007. 

http://www. . Acessado em dez. de 2007.  news.bbc.co.uk/…/img/1.jpg

http://http://www.scottisharchitecture.com/image/view/567 . Acessado em dez. de 2007. 

http://http://www.floornature.com/…/wr231_3_popup.jpg . Acessado em dez. de 2007. 

http://www.ellipsis.com/guides/tokyo/buildings/tokyo.truss.html#s3. Acessado em dez. de 2007. 

http://www.archilab.org/…/catalog/ushida/find01p.jpg. Acessado em dez. de 2007. 

 

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s