Monica Bonvicini e a obra “Don’t miss a second”- Não desperdice o segundo (2003-2005), no contexto da Arte Contemporânea

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA

CENTRO DE ARTES E LETRAS

DEPARTAMENTO DE ARTES VISUAIS

CURSO DE ARTES VISUAIS

DISCIPLINA DE HITÓRIA DA ARTE CONTEMPORÂNEA

 

 

Acadêmico: Matheus Moreno dos Santos Camargo

Professora: Nara Cristina Santos

Santa Maria, agosto de 2006

 

 

Introdução:

             O presente artigo tem como objetivo proporcionar uma aproximação com a produção de um artista contemporâneo, buscando compreender seu processo criativo, as características de suas obras e sua linha de pensamento perante estas, assim como a relação destas com o espaço ao qual estão inseridas e com o público.

            Na intenção de pesquisar um artista que tratasse da relação do espaço arquitetônico com o espaço para arte, descobri uma artista que trabalha em cima dos fatos e discussões que envolveram o cenário da arte nas ultimas décadas, como as experiências formais em cima do cubo branco das galerias e as novas experimentações livres de espaços pré-deteminados.

           

Biografia:

 

1965– Monica Bonvicini nasce em Veneza, Itália.

1986-1993– Estuda: Hochschule der Künste em Berlin.

1991-1992– Estuda: Califórnia Institute of the Arts, Valencia, Califórnia.

1998-1999– leciona: Art Center of Design, Pasadena, Califórnia.

2001– leciona: Califórnia Institute of the Arts, Valencia, California.

2002– leciona: Royal Danish Academie of Fine Arts, Kopenhagen.

2003– leciona: Akademie der bildenden Künste, Wien.

           

Monica Bonvicini e sua produção no contexto da Arte Contemporânea

 

            As diferentes maneiras de usar as paredes de uma galeria; tornou-se um importante tema no planejamento da arte da exposição dos anos oitenta. Monica Bonvicini trabalha com a parede – com a arquitetura e a ilusão de absoluta presença que ela cria de uma forma totalmente nova. Ela faz referência às críticas, as experiências formais sofisticadas que definiram o adversário nos anos 70 – o cubo branco das galerias.

 

 

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O exemplo mais literal dessa abordagem é o muito discutido vídeo Walfuckin de 1995; em um monitor posicionado no chão de uma galeria, perto de uma parede branca, vemos o corpo de uma mulher abraçando um pedaço de parede, esfregando-se nele.

            A sua abordagem artística e sem compromissos produz efeitos tangíveis; as paredes mantém-se de pé, mas por vezes abre rachaduras, como na instalação , cujo título refere-se a uma frase de Le Courbusier .

            Monica Bonvicini abre suas obras aos visitantes, já que a obra só alcança verdadeiro sentido quando se acrescenta a participação do público. A artista age diretamente no espaço expositivo, podendo tanto desferir marteladas em suas paredes quanto nele dispor um chão que se quebra com os passos dos visitantes

 

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A artista italiana foi a vencedora do Prêmio alemão da Galeria Nacional para Arte Jovem. Ela foi premiada pela instalação Never Again (Nunca Mais), escolhida pelo júri por misturar materiais pouco comuns, como zinco, couro e correntes industriais. De acordo com a comissão julgadora, neste trabalho de Bonvicini satisfaz todos os critérios formais de uma escultura – estrutura complexa, que permite a visualização da luz sobre o metal trabalhado – e mostra criatividade ao acrescentar o toque sensual do couro. A escultora acrescentou o som de correntes se arrastando no chão à instalação, o que aumenta a sensação de desconforto do observador. Os jurados dizem que o trabalho pode ser interpretado de diferentes maneiras. Além disso, traz imagens da cultura sadomasoquista para o espaço público da Galeria Nacional, mostrando um arrojo típico da arte contracultural dos anos 60.

 

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Sua carga de libido nos temas do espaço arquitetônico e suas teorias são consideradas com distância crítica, mas empírica por seu estilo livre. Divide sua obra principalmente entre Los Angeles e Berlim, duas cidades muito ativas na promoção da nova arquitetura.

 

“Don’t miss a second”- Não desperdice o segundo,  (2003-2005)

 

Em “Don’t miss a second”, Monica Bonvicini tensiona os limites da intimidade ao erigir somente com espelhos um banheiro público e lavatório, que pode ser usado enquanto se observa os transeuntes, mas sem correr o risco de ser visto por eles.

Depois de ter obtido autorização das autoridades municipais, instalou este cubo em frente ao museu mais famoso de Zurique, Kunsthaus; sendo uma das 103 criações da mostra “O olho livre de limites”, inaugurada em setembro de 2005. A instalação convida conseqüentemente à interação e a uma reflexão no relacionamento complexo entre o lado público e confidencial dos espaços, dos prazeres e das obrigações fisiológicas, e na presença social de barreiras visíveis e invisíveis. O título: Não desperdice o segundo, quer dizer literalmente para não perder um momento, dando uma pausa para a própria intimidade, em troca de um cotidiano coletivo e relacionado com questões sociais e de consumo.

 

 

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Na verdade, esse toalete faz parte de um projeto de introduzi-lo temporariamente em diversos locais, esta obra foi realizada pela primeira vez em 2003 em Londres, no terreno onde está atualmente o Colégio Chelsea de Arte e Design, ao lado do Museu britânico Tate, gerando uma relação distinta com esta parte de Londres.

            Em 2005, foi instalado no coração de Zurique, tornando-se um dos pontos mais populares da cidade suíça.              

            Nota-se na artista o interesse pelos módulos e pelo fato destes possuirem estruturas tradicionais da arquitetura modernista; suas obras, tratam então da recontextualização e reativação no papel diário de tais formas. De Duchamp a Manzoni e, a Bataille, na prática os artistas contemporâneos são referência para experimentar a ação de mexer com conceitos culturais, fisiológicos, psicológicos, sociais e políticos.

 

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             O uso de paredes de vidro espelhado contribui a um leitura múltipla e ambígua do trabalho, da presença do Tate, a faculdade de Chelsea, a história do lugar. Que em 1812, foi o local onde a primeira penitenciária do estado inglês foi construída, realizada de acordo com o modelo de reeducação, inventado por Jeremy Bentham: o Panopticon, uma estrutura cilíndrica, uma torre central de onde um único vigia poderia observar sem ser visto tudo ao seu redor; isto lembra as salas dos circuito das câmeras de vídeo, o controle social, reinterpretado aqui por Bonvicini o prazer do voyerismo.

 

 

Fontes bibliográficas e de imagens:

 

ART NOW. 137artistas al comienzo del siglo XXI. Taschen 2002.

http://www.the-artists.org

www.jornaldamidia.com.br/noticias/2006/08/14/Especial/Sanitario_publico_e_atracao. 

http://www.alanisworld.net/viewtopic.php

http://www.bbc.co.uk

www.bbc.co.uk/dna/collective

http://www.the-artists.orgwww.the-artists.org

www.exibart.com/…/200/IDNotizia/8901

 

 

 

Comentários
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