ARTE NO ESPAÇO URBANO, ATRAVÉS DA INSERÇÃO DE MOBILIÁRIOS/ESCULTÓRICOS PARA INTERAÇÃO E APRECIAÇÃO

 

 

 

 

 

 

Dezembro/2008

 

 

 

 

 

 

 

        ARTE NO ESPAÇO URBANO, ATRAVÉS DA INSERÇÃO DE MOBILIÁRIOS/ESCULTÓRICOS PARA INTERAÇÃO E APRECIAÇÃO  

 

 

A arquitetura e o Urbanismo sempre estiveram relacionados diretamente com as Artes Visuais, servindo como meio de suporte para a implantação das obras e muitas vezes fazendo parte destas.

Analisando estes espaços e suas relações com a figura humana, observei que a há um distanciamento entre o corpo e o meio, isto pode ser amenizado, através da inserção de arte no espaço urbano. Em minha pesquisa, pretendo chegar a este objetivo introduzindo mobiliários escultóricos, para interação, apreciação e revitalização de espaços. Escolhendo os bancos como ponto para interpretação, pois estes elementos são os mobiliários urbanos que mais se aproximam do corpo.

Neste semestre, dando seguimento a pesquisa teórica e formal, iniciada no Trabalho de Graduação I, fez-se necessário rever a escala e os materiais de execução dos mesmos, a fim de aprimorar a forma orgânica de meus objetos, inspirados em formas orgânicas com cavidades.

Uma iniciativa de incorporar a arte ao espaço público, em forma de mobiliário urbano, ocorreu em Tokio no ano de 2004. Onde, onze arquitetos, designers e artistas, executaram propostas, cada um seguindo seu estilo. Entre eles: Andrea Branzi, Ettore Sottsass, Droog Design, Ron Arad, Jasper Morrison, Tokujin Yoshioka, Thomas Sandell, Karim Rashid], Shigeru Uchida, Toyo Ito, Katsuhiko Hibino. Como mostram os exemplos abaixo. 

 

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Outra referência, é de uma sala de estar pública ao ar livre. Do Arquiteto Carlos Martínez e do artista suiço Pipilotti Rist, que são os autores desta singular obra de arquitetura urbana, com ela, venceram um concurso para revitalizar esta área em pleno coração do distrito financeiro da antiga cidade suiça de St. Gallen.Trabalhando com materiais como borracha, para o revestimento, com formas orgânicas e cores vivas esta obra se relaciona positivamente com público e com o entorno construído.

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Em meu trabalho final de graduação II, segui minha proposta de graduação I, na qual trabalhando com formas orgânicas, proponho mobiliários/escultóricos, para ocasionar maior interação com a figura humana do que estamos acostumados no meio urbano. Sendo, possível a apreciação de diversas maneiras, tais como, lazer, descanso, estranhamento e imersão.

Pretendendo possibilitar isso através destes trabalhos, e tendo as limitações impostas, pelo meio e pelo fato destes no momento não poderem ser permanentes, fez se necessário trabalhar com materiais leves e em escala humana.

Estes fatores influenciaram formalmente nos trabalhos, que através de croquis, eram inicialmente abertos para o entorno e rígidos, isso ocorreu, pois pensava em executá-los em estrutura metálica e cobertura de fibra de vidro.

 

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           Sendo assim, fiz experimentações com cores e formas diversas, de modo que pudessem se relacionar entre si e se destacassem do meio onde estariam inseridos, o qual, já vinha pesquisando suas características e materiais. Nesta etapa, meus trabalhos, possuíam um distanciamento com a pesquisa realizada no Trabalho de Graduação I, onde, através de croquis trabalhava em escala monumental, mas conseguia atingir meu principal objetivo, que é de gerar concavidades nos mesmos, para envolver o corpo do usuário, gerando a imersão deste no trabalho, causando um distanciamento com o meio (espaço urbano), propondo uma nova concepção deste espaço.  A pesquisa formal iniciada nos croquis, somente foi alcançada de maneira mais abrangente na execução dos trabalhos, onde os materiais escolhidos mostraram de maneira direta suas possibilidades e restrições.    

 Procurei trabalhar com uma estrutura maleável, porém forte, e leve. Assim, escolhi o metal para a elaboração da mesma. Sendo que ao mesmo tempo desse um suporte confiável e seguro para interação da figura humana, mas, também me proporcionasse liberdade para buscar a forma desejada.   

Fazendo uso de lona preta de larga espessura e fita adesiva para fazer o revestimento e acabamento final do mobiliário, materiais que já vinha usando desde I/2006, no Orientado I do Atelier de ObjetoArte e Multimeios. A lona preta, possui características muito fortes, como atrair a luz solar e ser um material que não permite ventilação, mas acredito no seu potencial plástico a fim de pesquisa, já que estes trabalhos não tem a finalidade de serem permanentes. Além disso, este material é usado para o abrigo de moradores de rua e sem tetos, o que acredito que contribui conceitualmente para meus trabalhos, sendo assim, sempre fiz uso desta, buscando observar sua relação com a figura humana.

 

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Para os assentos fiz uso de um colchão de molas de solteiro, para o trabalho de uso individual e um inflável de casal, para o trabalho de maior dimensão. Pretendendo gerar conforto e iniciativa de interação do ser humano com meu mobiliário/escultura, já que a lona é uma material pouco convidativo.

 O processo de construção dos trabalhos foi de extrema importância, pois ao trabalhar com objetos em uma escala próxima das dimensões humanas, e destinados a imersão da mesma, estes evoluíam muitas vezes sensitivamente, pois deveriam proporcionar abrigo e conforto. A escolha do uso de formas orgânicas, deve-se ao fato de acreditar que estas possuem uma aproximação maior com o corpo que os ângulos retos usados nas construções e nos mobiliários urbanos tradicionais.  

O fato destes dois trabalhos realizados, possuírem como característica comum, pontas verticais voltadas para cima, é resultado das aberturas dos mesmos que são uma espécie de secção nas formas orgânicas fechadas das bases, além de servirem como direcionamento visual para os usuários.

 

 

INSERÇÃO DESTES NO MEIO URBANO

 

Para a avaliação deste semestre, foram inseridos no espaço público urbanizado em uma escala que possam ser usados como mobiliários escultóricos, dependendo da interpretação do espectador e de seus sentidos e vontades. Busquei, preferencialmente experimentá-los no meio urbano, por possuir neste local, uma gama muito grande de construções de linguagens e formas distintas, além do aglomerado de transeuntes, deste modo poderei vivenciar as relações destes com meus trabalhos e através do registro fotográfico, analisar e refletir sobre estas.

 

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          O resultado final deixou-me bastante satisfeito, por alcançar a forma desejada e o resultado visual que desejava, pois os objetos se destacaram em relação ao meio, chamando a atenção dos transeuntes. Acredito que as características estéticas (orgânicas) influenciaram positivamente para gerar a imersão da figura humana, que desejo para meus trabalhos, isso foi alcançado também através dos materiais usados. 

 

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Pretendo dar continuidade a esta pesquisa, buscando elaborar estes objetos com materiais que possam gerar o uso permanente no meio público, e propício a interpéries; além de novas possibilidades plásticas. O conforto proporcionado, mesmo não sendo este o objetivo principal, foi satisfatório, mas no seguimento desta pesquisa estes serão revistos.

  

  

 

 

Referências da pesquisa:

 

BRANDÃO, Carlos A. L. A formação do homem moderno vista através da arquitetura. Belo Horizonte, Editora da UFMG, 2ª ed., 1999.

HEIDEGGER, Martin. Construir, habitar, pensar in CHOAY, Françoise. O Urbanismo. trad. Dafne Rodrigues. São Paulo, Perspectiva, 1979.

PALLAMIN, Vera Maria. Arte urbana. São Paulo: Annablume Fapesp, 2000.

ARGAN, Giulio Carlo. História da arte como História da cidade. São Paulo: Martins Fontes, 1993.

ARANTES, Priscila. Fronteiras Líquidas: O artista produtor de espaços-afetos.www.canalcontemporaneo.art.br/tecnopoliticas/archives/000570.html”.  Acessado em out. de 2007.

PEIXOTO, Nelson Brissac. Intervenções Urbanas: Arte\Cidade – São Paulo. São Paulo: SENAC, 2002.

Architectura del paisaje – Mobiliário Urbano. Barcelona: MONSA, 2007

SIQUEIRA.

Paisajismo Urbano. Barcelona: MONSA, 2006.

LYNCH, Kevin. A Imagem da Cidade, Cambridge: MIT Press. 1960.

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Comentários
  1. Matheus, adorei ver o conjunto dos seus trabalhos, nesta páginas, até porque sei muito bem o que cada das etapas significou para vc! Espero que outros alunos do OAM, tenham uma iniciativa semelhante a sua.
    Vc, sabe que iremos fazer uma exposição dos alunos e ex-alunos do OAM, em abril, na Sala Carriconde, para comemorar 5 anos de OAM?!!! Então não suma.. !!!!!

    bjs

  2. […] TFG 2-  Arte no espaço urbano, através da inserção de mobiliários escultóricos – 2008 […]

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